NOITE DOS APAIXONADOS
Autor: Marcio Invisiones
Já não importa que tudo pareça ter perdido o valor. Na verdade parece que quanto mais buscamos atingi nossos objetivos, mas abaixo estamos de entender esse mundo que nos persegue num carrossel intenso de infinitas perguntas que nunca são respondidas. Não consigo diferenciar o bem do mal, o rico do pobre. Talvez isso não tenha a mínima importância, já que para ambos os lados está reservado o mesmo destino. Eu costumo pensar assim.
Agora é tudo diferente, e minhas razões estão me traindo. Tudo o que eu pensei que fosse loucura, ou alusão tem se tornado real. Essa realidade que não pode ser combatida, e me força a vive-la de maneira irrelevânte. Porque querer nesse universo inóspito não é de forma alguma o mesmo que poder. Tudo faz um pouco de sentido as vezes, os goles do conhaque que descem guéla a baixo, fazem-me pensar melhor. É ai que lembro de tudo. E volto aquilo que pensei que fosse verdade. Então... Eu tinha apenas dezessete anos...
Morava em São Paulo, e fazia um cursinho de inglês no centro. Não conseguia me comunicar de maneira saúdavel com as pessoas, e me sentia excluído pela a maior parte dos meus amigos. Eu não tinha amigos... O curso me ajudaria, a aprender um novo idioma, e com isso viria uma nova oportunidade de vida. Sempre gostei da idéia de poder conhecer pessoas novas. Sei que isso é o que a maior parte das pessoas vivem dizendo, mesmo assim posso afirmar com toda certeza, que conhecer pessoas diferentes me ajudaria muito.
Todos os dias da semana a partir das três da tarde, eu precisava pegar um coletivo para ir ao curso. Na volta por volta das seis e meia, era muito pior. As pessoas se apertavam umas contra as outras, e você se esforçava para não prejudicar ninguém. Aquilo tudo era muito cansativo. Porem recompensador.
Conheci uma garota, seu nome era Jéssica, mas ela preferia que eu a chamasse de Jéssy. Digamos que logo no principio nos aproximamos muito bem. E algo de diferente começou a fluir entre nós. Eu não sabia nada do amor, eu acho que ela também não. Mas, nos curtimos bastante. Voltávamos juntos para a casa, e fazíamos muitas coisas divertidas.
Quando completamos três meses de namoro, eu combinei de sair para assistimos a um filme, depois do cinema. No término do curso, estavam sendo distribuídos preservativos, porque era a semana do carnaval. Aproveitei a situação, e fiquei com alguns deles. Eu queria que aquela noite fosse especial.
Ficamos assistindo a um filme que não era nem um pouco interessante. Jéssy olhava fixamente para a tela, como se me ignorasse. Eu ao contrário dela, preferia assistir a outro espetáculo. Suas coxas roliças desnudas, cobertas por uma micro saia, vermelha. A pequena camiseta com um enorme decote, do qual chamava a atenção dos meus olhos como se dissesse "Venha aproxime-se". Minha língua parecia implorar por beijar aqueles seios fartos, que pareciam deliciosos. Minha garota, virou-se para mim, e disse "Tenha calma amor. Não seja apressado".
Saímos para a rua, ainda no centro. Procuramos por um motel, não poderia ser em nenhum outro lugar. Entramos em algumas vielas desconhecidas, estava um pouco tarde, haviam poucas pessoas nas ruas, e nos sentíamos perdidos. A lua cheia e o céu estrelado nos encaminhou para um letreiro que dizia: "Noite dos apaixonados". Éramos menores de idade, mas pensei desde o começo que não haveria problema algum, deles nos aceitarem.
Entramos, o portão estava entreaberto. Subimos juntos um primeiro lance de escadas, eu mal segurava a minha excitação. A ereção estava me matando. Chegamos até um balcão, sujo e surrado, como a maior parte dos aposentos, e paredes daquele motel. Chamamos na recepção, e imediatamente um homem surgiu por debaixo do balcão nos causando um espanto.
- Olhem a lua. - Disse ele.
- Sim. - Respondi. - O que tem ela?
- Não, nada!
Por cima do balcão havia um cinzeiro com varias bitucas de cigarro acesas. Ainda enfumaçavam como se não houvesse muito tempo que o homem acabara de fumar. Um copo de café, pela a metade estava ao lado do maço de Hollywood. Algumas folhas, amareladas, e letras rabiscadas completavam os artifícios do balcão.
O homem parecia nervoso. Suava, os olhos eram profundos. Os dentes amarelos, tinha uma face empalidecida, e parecia doente. Ele pegou no bolso da camisa o par de óculos e acendeu outro cigarro.
- Queremos um quarto.
- Um quarto? Sim... Sim... Claro! Um quarto!
- Alguma problema? - Perguntou a ele Jéssy.
- Claro que não. Me dêem os seus RGs.
Tremendo o homem pegou com a mão esquerda os documentos, enquanto que com a direita, embebedecia-se com o café. Tragava com toda a vontade o cigarro, e parecia meio desleixado. Aquela cena, parecia um tanto estranha. Fosse qual fosse o seu problema, eu não iria me importar. Eu só queria um quarto.
- Temos dezessete anos. Espero que isso não tenha nenhum problema.
Peguei na mão de Jéssy, e fomos para o quarto. Estávamos eufóricos, percebemos que éramos os únicos ali, porque não havia sinal de vida nos outros quartos. Entramos no minúsculo comodo, e tiramos apressadamente nossas roupas. Aquilo era tudo o que eu queria. Uma garota, completar o meu curso, ser um pouco mais comunicativo, eu era muito inocente.
Não demorou muito e logo começamos a nossa fervorosa paixão. Foi a primeira vez que eu penetrei uma garota. Mal conseguia imaginar aquela sensação, como era macio. Tudo começou a girar, e pensei que fosse a emoção de estar ali. Logo Jéssy parecia ter se transformado, era outra garota. Tentei parar, quis voltar atrás, mas o seus olhos eram envolventes, e feitiçeiros. Num momento de espasmo total, repousei-me sobre a estranha garota, e olhei para o lado. O homem enorme, praticamente estuprava violentamente minha verdadeira garota Jéssy. Tentei agir, mas estava completamente vencido pelo a sensação de cansaço.
Logo tudo foi ficando mais claro. O enorme sujeito, era muito estranho, assim como a garota com a qual eu acabara de transar. Eles pareciam humanos, mas tinham asas, como dêmonios, e olhos avermelhados. Eram bestas do inferno. Logo que ludibriaram-se comigo e minha parceira, pularam pela a janela desaparecendo.
Corremos para a recepção, e fomos recebidos a tiros pelo o homem nervoso, que tremia e suava inconstantemente.
- Desculpe. - Dizia ele. - Desde que essas bestas do inferno vieram para cá, eu não tive mais clientes. Não pude avisa-los, eu precisava alugar algum quarto. Esse ponto estar queimado, e eu estou falido.
Ele começou a se desesperar, e caiu em prantos.
- Esses são Incubus e Sucubus. Dois dêmonios, um fêmea e outro macho. Ela recolhe o sêmen de sua vitima, ele planta o seu sêmen na vitima. Vocês estão condenados a morte. Depois de nove meses, Sucubus ira dar a luz a criatura que você, rapaz ajudou-a a conseguir. E voltara para mata-lo, porque você só será importante durante a gestação. Do seu sangue ela se alimentara. E quanto a garota, perdera a vida logo após dar a luz ao filho do Incubus.
O homem tomado por um ataque de nervos correu para a rua, fugindo feito uma vadia. Largou a arma em cima do balcão. Olhei para Jéssy, e perguntei se ela achava que aquilo era mesmo verdade.
- Sim, - Ela me disse. - Já estou sentindo ele mexer.
Não tive escolha, estourei os miolos da minha doce Jéssy. Agora estou andando sem rumo, minha garota está morta. Prefiro não me sujeitar a viver por esses meses sendo escravizado por uma criatura dos infernos. Tudo o que eu queria, era ser feliz com a minha garota. Mas, não posso permitir a proliferação do mal. Carrego a pistola comigo... Não hesito... Não posso mais existir...
Fim
Márcio Invisione
